I
Guardado nos recortes das montanhas
Altas, firmes e difíceis de transpor,
Velado pelo cajado do pastor
Atento, noite e dia, a coisas estranhas,
Reside, no embalo dos chocalhos,
O Reino magnífico de “Outorga”
Estendido em cada vale, por cada corga,
A obra que ao Senhor mais deu trabalhos!
Mil anjos jardineiros replantaram
Lameiros, vales e hortas verdejaram!
Ao pé de cada rio nasc’ em flor,
No reino encantado de Trás – os – Montes,
Arranjos de verde, frescor e fontes,
Por onde arrastou seu manto o Senhor.
II
Nem tod' os olhos o podem ver.
É certo que é preciso entrar no escuro,
Deixar a luz do dia, e seguir puro
P’los corredores antigos do saber:
Do tempo, é a porta da primeira cela
Onde se aprende a ver com minúcia,
Aguçando o olhar e a astúcia,
Procurando sempre a luz da estrela
Do pastor que nos guia, à nossa frente,
Sabendo desde o fruto à semente
Do tesouro que o monte fortalece,
Que ao fim ao cabo, toda a gente esquece
Na corrida dos dias, de repente
Nos pára, e mostra aquilo que floresce.
III
Sempre a correr nas horas, todo o dia,
O homem nem tem tempo p’ra ter medo,
E passa assim ao lado de um segredo
Que lhe traria, por certo, alegria.
Contar mil pétalas de uma só cor…
Escutar perto da urze o zumbido
Das abelhas em labor e o alarido
Do trinado das aves em redor,
Talvez o fizessem um ser melhor.
Talvez e mais atento ao pormenor
O homem fizesse algo majestoso!
Atrás dos montes só s' esconde esplendor
A quem não tem no olhar o pudor
Guardado nos recortes das montanhas
Altas, firmes e difíceis de transpor,
Velado pelo cajado do pastor
Atento, noite e dia, a coisas estranhas,
Reside, no embalo dos chocalhos,
O Reino magnífico de “Outorga”
Estendido em cada vale, por cada corga,
A obra que ao Senhor mais deu trabalhos!
Mil anjos jardineiros replantaram
Lameiros, vales e hortas verdejaram!
Ao pé de cada rio nasc’ em flor,
No reino encantado de Trás – os – Montes,
Arranjos de verde, frescor e fontes,
Por onde arrastou seu manto o Senhor.
II
Nem tod' os olhos o podem ver.
É certo que é preciso entrar no escuro,
Deixar a luz do dia, e seguir puro
P’los corredores antigos do saber:
Do tempo, é a porta da primeira cela
Onde se aprende a ver com minúcia,
Aguçando o olhar e a astúcia,
Procurando sempre a luz da estrela
Do pastor que nos guia, à nossa frente,
Sabendo desde o fruto à semente
Do tesouro que o monte fortalece,
Que ao fim ao cabo, toda a gente esquece
Na corrida dos dias, de repente
Nos pára, e mostra aquilo que floresce.
III
Sempre a correr nas horas, todo o dia,
O homem nem tem tempo p’ra ter medo,
E passa assim ao lado de um segredo
Que lhe traria, por certo, alegria.
Contar mil pétalas de uma só cor…
Escutar perto da urze o zumbido
Das abelhas em labor e o alarido
Do trinado das aves em redor,
Talvez o fizessem um ser melhor.
Talvez e mais atento ao pormenor
O homem fizesse algo majestoso!
Atrás dos montes só s' esconde esplendor
A quem não tem no olhar o pudor
De ver este Reino Maravilhoso!














